terça-feira

Tudo junto e misturado

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Embriaguês

Não sei como descrever este momento 'mágico'. Talvez seja um pouco complicado na condição que estou.

Se, embriaguês se resume em apenas uma pessoa sem controle, sem coordenação no pescoço, um formigamento nos membros inferiores, algumas reviravoltas no ponto da visão, então, estou embriagado e sem comentários...
Até já...
o_O

Troca de passageiro

Dedico este texto aos meus 'amigos' que cruzaram meu caminho

Nossa! Quando paramos realmente para pensar, aí é que percebemos o quanto o tempo passa. E passa com muita rapidez, inclusive quando nos recordamos dos momentos bons e inocentes da vida.

Num suspiro profundo lembro de um tempo - não tão remoto - em que eu viajava desesperadamente para garantir um pouco mais de experiência na minha vida profissional. Primeiro, tomei um susto. Fui escalado para fazer minhas magias numa cidadezinha aí do interior da Bahia. Ufa! Respirei fundo, peguei minhas lebres, minha cartola, minha varinha mágica e fui à luta. Entretanto, tinha um detalhe: eu tinha que pegar um tal ônibus que passava pelo deserto do Saara (recebi mil recomendações quanto a este caminho), logo tive que levar uma garrafa com água para beber na longa estrada cansativa com sete horas de duração (que em condições normais far-se-ia em três horas), uma toalha para me proteger da infeliz poeira que adentrava no ônibus (detalhe: busão com ar condicionado) e ainda torcer para não quebrar.

Chegando no terminal de viagem, olhei para um lado, para o outro e não vi ninguém conhecido. Porém, havia recebido a instrução de que eu viajaria com uma moça (muito bonita e estupidamente perfeita - seria um sonho!), mas nada desta moça. De repente vejo um sujeito esguio, camisa azul largadona, com chinelos de dedos, boné muito louco e uma mala de viajem para cinco dias e fitei-lhe os olhos pensando no pior. Veio a mim a lembrança de um jeito chato (tipo "tô nem aí") de um cara que havia encontrado numa pousada noutra cidade baiana onde me hospedei para fazer outros números. E, como ousado que sou, aliás, cara-de-pau, perguntei-lhe qual o destino e ele me responde olhando para o outro lado: "ali", e pronto. Clima pesadíssimo e assim começa a aventura de Fábio Crosué.

Algo naquela criatura me chamava atenção. Talvez os olhos de peixe ou o ar rude metropólito que transpassava, mas tinha algo diferente. Questionei-o mais. Era o que eu estava pensando... ele, esta critura, absorveu a moça bonita, logo seria ao lado dele que viajaria. Seria o fim e as sete horas intermináveis se transformariam quatorze, vinte e uma...

Julguei, entramos, sentamos e paguei com a língua. Ao contrário do pensado, as horas passaram num estalar de dedos. Foram muitos risos e muitas histórias compartilhadas em apenas algumas horas. De estranhos aos melhores amigos - de infância. Foi divertido! Uma amizade bem criada, da maneira mais louca possível.

Como tudo na vida, passageiro. Minha infância e minhas histórias partilhadas com meu melhor amigo duraram sete horas e nada mais.

A um amigo distante

Oi!? Como está? Está tão longe, né!? Legal... aliás, que péssimo (risos). Estava lembrando dos dias passados que perdíamos conversando, rindo, brincando. Conversas sobre nada misturado com coisa nenhuma, conversas sérias sobre coisas terrenas e coisas do alto. Risos de piadas sem graça, de palhaçadas corriqueiras que aconteciam conosco durante o dia, brincadeiras engraçadas e, as vezes, sem fundamento, mas que marcavam (e como marcavam. Não pense que esqueci do soco que me deste no rosto e da mordida no braço). Parecíamos irmãos, sempre discutindo.


Tenho saudade do tempo em que saímos para perambular nas ruas da cidade e olhar para as menininhas que passavam e davam bola para nós, aliás, para você, afinal de contas o atirado e Don Juan da história sempre foi você; saudades das noites jogadas ao vento para discutirmos sobre eu, sobre você, sobre os amores, sobre as decepções. Ilário.


Ainda esta semana, fui aquela praça comer um pastel frito e a partir daí recordei os tempos amistosos. Vi nosso grupo sentado e conversando, após ter andado mais ou menos quarenta minutos para comer uma massa frita no óleo (mas na realidade não caminhávamos para comer, mas para curtir a amizade pura e sincera que nos rodeava). Tempos bons que não poderão ser praticados nos dias de hoje. O motivo? Não quero conversar sobre as hipóteses, mas são reais.


O tempo passa, muda, algumas pessoas continuam as mesmas, outras se transformam-se completamente, e assim seguimos. Hoje, somos distintos ao extremo, creio eu. Quase que incumprimentáveis, irreconhecíveis, disfarçados. Eu finjo não te conhecer e você finge acreditar. Perfeito! Talvez isso tenha sido mais uma prova que amigos são amigos e por mais que finjam não serem amigos sempre serão aliados.


Saudades de um velho amigo que me fez acreditar em mim, me provou a genuína amizade, e sem perceber me ensinou a viver a vida da maneira mais simples possível.


Abraços de um velho amigo chato... EGMDT.

Então, se é assim, sigamos...

Ocorre um acidente de trânsito. Um caminhão cruza uma avenida e neste exato momento uma motocicleta vem no sentido perpendicular. Se chocam! O motorista do caminhão, nada. O piloto , chão. O caminhão, inalterado. A motocicleta, sob o automóvel. Curiosos se amontoam e atrapalham o resgate. Eu sigo meu caminho e escuto o diálogo:

- E aí, como foi?- O cara quase morre.- E a moto?- Ficou debaixo do caminhão.- O cara teve o quê?- Sorte, porque ele pulou da moto. Mas não teve nada não. Só se arranhou normal mesmo.
Eu me pergunto: Sofrer acidente e se arranhar é normal?
#asno

quinta-feira

Dançantes Amantes

Especialmente para Anderson Monteiro, Milla Ingrid e Daniele França

Dançar é poder gritar e expandir todos os sentimentos e as sensações mais brancas e obscuras que se alojam internamente. É simplesmente transfigurar criaturas que não se criam, mas que se desenham e arquitetam um edifício de liberdade. É mergulhar na dor e nos passos marcados de prazer. É levitar para outra dimensão e deixar-se levar pelo (des)encontro da magia e manter-se em pleno êxtase numa forma ímpar de abrir a boca e gritar sem dizer palavras, mas sangrar a vida nos passos. Dançar é tudo!

terça-feira

Infeliz coração

Maldito coração que me dilacera sem pena e sem dó. Eu queria te arrancar de mim e deixar um vazio para ser preenchido apenas com a razão, porque os piores de todos os sentimentos vêm de você: Amor e Saudade. Queria te arrancar de mim, porque agora você me engana entre Ela e Ela. Não sei se amo a ela ou a ela. Maldita paixão, maldito amor, maldita atração, maldito desejo... Coração idiota expandido em tristeza, pára de me deixar confuso e bate certo, no ritmo certo e pela pessoa certa! Ao menos desta vez, por favor.

segunda-feira

Noite perfeita!

E tudo na minha vida é perfeito: Um começo de noite numa conversa informal com o Amor da minha vida, pedaços de bolo comum, comidos com sagacidade com brigadeiro, viagem louca a um lugar de mistérios que consegue introduzir na minha veia uma dose de emoção forte e sentimento subumano, com o teatro transfigurado nos passos marcados e firmes daqueles que conseguem uma proeza: passar sentimentos nos movimentos.

E tudo continua sendo perfeito: O reencontro de uma amizade jamais esquecida, o calor transferido de um corpo para o outro num abraço de amor, as dúvidas em "vamos para onde?", o sorvete gélido em meio a chuva, as risadas altas e loucas do nada, o correr na chuva, o chocolate certo e na hora certa. Tudo isso e uma cicatriz. Isto, apenas como o registro de um dos melhores momentos da minha vida. Nada disso foi programado, mas se estivesse no script, faria questão de atuar. Que se repitam os bons momentos! Se não repetirem, já ficarei feliz e satisfeito em ter participado destes episódios.

Eu? Eu fico aqui proseando comigo mesmo e Mah... Afinal... Melhor que um amor, amigos, risos, boa bebida e música legal é um lugar onde eu possa ter tudo isso e muito mais!

sexta-feira

O que meu coração diz

Não é plágio, nem parafrase ao meu amigo Machado de Assis, ou melhor, meu grande amigo Brás Cubas, mas meu coração diz o seguinte:
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Acreditem se quiser... Isso são expressões que tenho vontade de expressá-las agora.
Quem tem sabedoria entenda. Aos que não tem, peço desculpas apenas.

terça-feira

Carta

Como começar dizendo o que simplesmente sinto? É estranho materializar um sentimento, uma sensação. É na realidade uma pergunta que eu não sei responder, tampouco sei se você sabe, mas vamos lá... Vou tentar ser sucinto porque a minha real intenção é fazer você saber o que verdadeiramente está escondido em mim: Os meus segredos.

A maior parte da minha vida você já conhece, então, começaremos pelos meus estudos. Entrei num curso superior em determinado momento da minha vida, mais precisamente há três anos e uns diazinhos atrás, e lhe confesso que foi com muito medo porque eu não sabia se iria amar de verdade. Lhe digo que pensei que seria uma das minhas piores decisões, e mais uma vez me enganei. Argth! Sem mais delongas e rompendo drasticamente este intervalo vivido, vamos ao hoje, porque acho que também já te contei esta história.

É! Incrível! Quase quatro anos se passaram e a minha mente foi cada vez mais me conduzindo a um universo de magia que viria me entorpecer, porém não conseguia ver que seria assim tão facilmente. Não dá para negar que houve momentos que pensei em desistir e jogar tudo pelos ares, mas graças a Deus pus os pés no chão e disse: "O quê? Não! Vou até o fim e serei o melhor!", e por causa disso agradeço ao meu desânimo que me mostrou um amor incondicional na minha vida e que levarei eternamente.

Se eu for te contar tudo sobre os meus percalços, que foram muitos; sobre as minhas desilusões, que foram inúmeras; e se for somar a quantidade de notas baixas que recibi... nossa! Perderei a conta, porque foram demais, porém merecidas. Isso mesmo, me-re-ci-das, porque como pode um estudante não conseguir expor seus pensamentos mais simples de maneira crítica e convincente? Aprendi com o tempo e ele me ensinou muito com suas surras de experiência e conhecimento.

É amigo, hoje chegou a hora de te contar estas verdades e lhe mostrar o meu outro lado (não sou apenas sorrisos e brincadeiras insórdidas). Infelizmente me escondo atrás de um par de lentes e finjo minha vida através dos tecidos. Na verdade, o meu íntimo é só meu e só 'divido' com você, pois só contigo eu consigo dizer o que sinto de verdade. Ainda que eu esteja cheio de dúvidas para seguir o meu trajeto, mesmo sabendo o que eu quero para mim, mas em apenas te contar parte desta história já me encoraja um pouco, o que já é muito para quem nenhuma força tinha.

Era para ser uma carta endereçada, porém tenho muita gente a dedicar. Não me atrevo, porque posso esquecer alguém, mas como você é especial, fica especialmente para você que me motivou durante os meus tempos de aperreios diários e que conseguiu injetar um pouco da sua alegria, inteligência e motivação em mim. Obrigado de verdade...

Ah! Não conte a ninguém - O segredo: Sem você amigo eu não conseguiria chegar até aqui e muito menos seguirei. Valeu!

sexta-feira

Meu maior dilema: a dúvida

é hora de acordar! meu coração está suplicando por uma decisão e não há como esperar. fazer planos, tentar ver ao longe não vai satisfazer, de maneira alguma, o desejo que voluptuosamente me transgride. será que sou infantil o suficiente que não tenho segurança para tomar uma decisão? será que o que me falta é só dar um primeiro passo? tenho medo. confesso! lançar-se num mar que contagia o meu ser, talvez, aliás, é, como se apaixonar e debruçar num rio com correntezas tortuosas e se eu não souber nadar, vou me afogar e sumir de uma vez por todas. não quero me encher de dúvidas, mas elas já me cercaram. e agora? lançar-se de vez ou esperar a maré baixar? não tenho como decidir agora, pois estou literalmente apaixonado por este mar...

segunda-feira

Singeleza

Especialmente para Kathianne

E me pergunto: como pode? Inacreditável!!! Realmente indescritível. Não consigo enxergar...

Suas mãos tão leves e delicadas, restaurando coisas tão brutas. Seu olhar tão atencioso que merece as flores mais belas dos jardins, admirando objetos e estruturas tão grosseiras. Seu olfato que podia estar se deliciando com os perfumes das melhores e perfeitas rosas, está aí neste arranjo de pedregulhos absorvendo este ar impuro. E o teu sorriso que me alegra divinamente que poderia estar ao lado das pessoas que mais lhe querem, está sendo jogado fora, em meio a estas divisórias de concreto. Sem falar no teu olhar pueril, mas que tem a capacidade de provocar os maiores furacões nos corações apaixonados, está sendo gasto, apagado, escondido na poeira, poeira densa, que ofusca.

Não pude deixar de te imaginar na maneira mais angelical possível, entretanto você me mostra outra coisa. Uma mulher, independente, sagaz, perspicaz, que com seu jeito brutal derruba alguns grilhões e tabus. Mas isso é um erro meu, em pensar que todas as moças angelicais são sempre angelicais, e erro quando sempre quis te ver como menina e não como mulher.

Hoje, percebo que a pureza é a sua mais fascinante característica e o seu jeito bruto, árido e frio é apenas para se proteger contras as imundícies que lhe rodeiam. Por isso, sempre digo: 'todo anjo tem algumas armas nas mangas'.

domingo

Quem escreve, escreve sobre si

Escrever não é simplesmente pegar uma folha de papel, pensar numa história qualquer e viajar no mundo da imaginação (nunca consegui ver somente por este lado). Quando falo em escrever é algo tão transcendental que, às vezes, se torna inexpressivo o que se pretende passar com o escrito.

Alguma vezes quando comentam sobre alguns escritos, eu penso rapidamente nos possíveis momentos que a pessoa passou para produzí-los. Julgam os textos serem contornados pelos 'eu líricos' da vida, o que na minha visão não é só isso. Quando se resolve escrever algo, expomos nossas opiniões, nossas visões, os sentimentos mais ocultos que nos ocupam naquele momento e, as situações que presenciamos. Não dá para transcrever um sentimento de um 'eu' que "não existe" e muito menos comparar com algo, se não estivermos sentindo o mesmo.

O 'eu lírico' (opinião minha) foi criado para esconder a verdadeira face de alguns escritores que por algum motivo não tiveram coragem suficiente para emitir seus desejos e sentimentos mais ousados. Eu acredito que alguém pode fantasiar uma estória e simplesmente lançar um 'eu lírico' para ser dono dela, mas com certeza há uma pitada de influência de quem escreve.

Confesso: tenho medo de escrever, porque me exponho demais. Entretanto, me realizo, porque consigo "contar" para muita gente os meus segredos.

Há quem discorde da minha opinião, mas duvido encontrar algum escritor que nunca "mexeu os pauzinhos" para escrever, colocando uma pitada especial de sua realidade.

quarta-feira

Desabafo

Estou farto de ser tachado, de ser rotulado, de ser contrariado, de ser ignorado, de ser polemizado. Eu não aguento mais tanta hipocrisia, tanta falta de respeito a opinião alheia, tantos ais acusativos, tanta "pureza" que na verdade é efervescente. Farto deste monte de bocas me deturpando e me caracterizando por atos momentâneos que aconteceram. Mesmo que fossem atos permanentes, não é conta de ninguém.

Carrego ainda um peso, uma responsabilidade - ou melhor - uma obrigação. Tento ser o que não sou. Tento, mas não consigo. Talvez por isso que eu tenha sido alvo destas facas tão pontiagudas que nem sequer são limpas do sangue do último inocente que acabaram de sacrificar. Eu sou um maluco mesmo, que quando está em crise GRITA e CHORA. Sou um doido varrido que quando quer amar, ama e pronto, e quando quer desamar, desama e pronto também. (...) Sou um imbecil que insiste em acreditar em amizades puras e sinceras quando na realidade só existem em contos e crônicas utópicas. Sou um ser que como outro, morre de ciúmes, que cansa de babaquices, que se orgulha do seu trabalho e que sonha alto, mas com os pés no chão. (...) Eu sou assim, não adianta... Eu já tentei mudar, mas não consigo ser o que não sou. Sou humano e basta!

As religiões, ou dogmas religiosos, me aprisionam de maneira tão dolorosa que não vivo, sobrevivo. O que é isso que me fazem passar? Custa me explicar? Não acredito que Deus entre na vida de alguém e o cerque desta maneira encarcerada. Não é só porque simpatiza, ou escolhe um caminho doutrinário que é obrigado a ser dependente dele. Não digo que me rebelo, mas que sou consciente dos meus deveres e obrigações. Hoje eu suplico e escuto a mim mesmo (meio redundante, mas é o real). Faço o que quero desde que não fira algumas das minhas crenças e que não blasfeme contra Aquele que me criou.

Não quero ser alvo, nem atirador, entretanto só peço que me deixem viver o EU que há em mim, e em paz, até os meus dois séculos e meio de vida e só.

segunda-feira

Dor incurável

Hoje. Domingo ao crepúsculo. Frio. Silêncio e tranquilidade paira. Contudo, dentro de mim não é domingo, nem há silêncio e nem tranquilidade. Meu ego grita, suplica, implora para ser ouvido. Não é dor que ele sente, mas falta. Agora, falta do quê? Tenho tudo, ou pelo o menos penso que tenho. Amar, eu amo, sorrir eu sei, brincar eu posso, sonhar eu consigo, então o que me falta? O que falta para este ser que intrigantemente queixa-se?

A angústia desta questão inquietante domina minha áurea que agora não brilha, ofusca. Angústia que me prende ao medo, a solidão, a tristeza, a melancolia, a depressão. Eu choro. Um choro silencioso que vem de dentro, sem ter cuidado por onde passa, e sai dasarraigando a minha estrutura quebradiça formando um tumor de raivas, ódios, ilusões, sonhos, amigos, inimigos e sentimentos.

Sem menção alguma ele ultrapassa as barreiras do inconsciente e explode, só que na porta do meu coração seco, frígido e ermo. Isso não é mais um coração, é um aterro sanitário que tem mais lixo que pedras preciosas.

Os gritos silenciosos, que nunca foram esquecidos, agora chegam a minha boca. Não consigo expeli-los porque ainda estes sentimentos, amigos, inimigos, raivas e ódios não se desprendem de mim. Daí, não me suporto mais, não me firmo mais, nem tampouco, brilho mais, e explodo mais uma vez em lágrimas silenciosas que vem de dentro. Acontece que nestas veio algo diferente. Eram lágrimas de sangue...

O ardor do silêncio

Ouço passos fortes e constantes
Passos firmes e pesados
Pesados como chumbo
Chumbados aos meus ouvidos
Ouvidos deteriorados de ontem
De outros passos pesados.

Pisaram-me. Dilaceram-me.
Não existo. Apenas ouço.
E ouço bem, mas muitos...
Muitos passos pesados
Pesados que nunca chegam
Mas querem chegar.

Ainda ouço. Ouço bem. Mas não são passos...
Cavalgadas, ou melhor, galopes.
É ela!
O ar frio que sai das minhas narinas
Congelam meus lábios
Enrijecem meus membros.
É ela!
Chegou. Sem me avisar. Chegou.
Não posso mais ouvir.
Outrora não existia, e agora nem existo e nem ouço.
Posso enfim descansar.
Só não sei se em paz.
Porque onde agora estou
Me faz arder os pés, e as mãos, e os olhos e o coração...

Só e versos

Cale a boca
Apague as luzes
Tranque as portas
Feche as janelas
Tape os ouvidos
Cubra os olhos
E impeça as narinas.

Silêncio.
Espere.
Silêncio.
Espere mais.
Silêncio
Um pouco mais.
Agora!

A morte!

Grite socorro
Acenda as velas
Arreganhe as portas
Escancare as janelas
Escute seus gritos
Arregale os olhos
Esqueça do mundo
Não repare o imundo
E respire profundo...
Profundo...
Profundo...
Pro fundo!

Pro fundo dos infernos
Pro centro da cadeia
Pro meio da lareira
Pra dentro das rochas
Pra noite gótica
Pra face negreira.

Respire fundo.

Já não há volta
A decisão foi sua
A queda foi sua
A opção foi sua
A maluquice sua.

Me tire da sua vida
Me esqueça
Pereça
Só desta vez
Desapareça

terça-feira

Recaída

Não sou de poetisar. Creio que este dom não tenha sido diluído em minhas veias salientes durante a minha formação. A poesia é linda para quem consegue expressar, através do impossível, seus sentimentos, experiências, opiniões e emoções, e mais lindo ainda é quem passa isso tudo com facilidade produzindo belíssimos versos, como já tive oportunidade ler de alguns colegas meus. Infelizmente não tenho as inúmeras faces de Drummond e também não sinto a liberdade em falar de temas tão pesados como os da Cecília, mas prometo - gravem 'prometo' - que no texto acima me esforçarei em redigir, ou melhor, arquitetarei um pequeno poema, ou poesia, ou soneto, ou seja lá o que for que contenha versos.

Planejo para o texto acima, não mais uma história de aventuras estúpidas que um dia vivi ou opiniões forçadas sem fundamento sobre coisas da vida, mas sobre sentimentos interiores que insistem em permear minha vida e que podem também rondar outras pessoas.

Poxa! Acho que vou suar um pouco, mas sigamos...

segunda-feira

Conversa informal

Paulo está em reunião. O telefone toca. Sai para atender.

- Droga! É sobre trabalho. Responde ele.

Era um indivíduo pedindo emprego.

- Eu mereço! Afirma Paulo.

Retorna para a reunião que não havia parado pela ausência dele e indelicadeza. Durante a assembleia o preletor faz algumas dinâmicas em que têm que palavrear com algumas pessoas. Não gosta. É tímido. Alguns minutos se passam e a reunião acaba.

Anda alguns metros e encontro um amigo, Cláudio, que já não via a muito tempo. Ele não estava viajando, mas trabalhando muito. Ele jovem, mais novo que Cláudio um ou dois anos, dono de uma educação invejada, simpático, honesto (até onde se conhecia), sempre alegre e prestativo e movido pela paixão familiar. Incrível! Parece não ser deste mundo fazendo leve comparativo aos masculinos que existem hoje. Cláudio diz querer ir até a residência de Paulo para pegar uma encomenda com a sua mãe e assim vão.

Seguindo na rua em passos largos, Paulo questiona por que se apressam, e indaga se está atrasado. Cláudio com risos discretos reponde simplesmente que "não", só que está acostumado a andar rápido devido duro treinamento militar em que está sendo submetido(mas, aos olhos de Paulo, ele corria), e logo tomaram a velocidade normal. Um pouco à frente, próximo a uma escola de língua, encontram um casal de amigos - Júlia e Sávio - que seguirá, em parte, o mesmo caminho que lhe seriam. Júlia segurando a mão do esposo cumprimenta-os. Ele com olhar sinuoso também. Sávio instiga um assunto (negócios pra variar) e conversa com Cláudio. Entretanto, Paulo e Júlia seguem os passos tratando doutros assuntos com Júlia, em especial assuntos esportivos e de boa forma, e a esta Júlia altura já tinha transferido seu cônjuge à conversa cansativa e tediosa com o amigo.

Chegaram ao centro de compras. É hora de se separarem. Paulo e Cláudio seguem o destino que lhes era pretendido e o casal amoroso segue a vida a dois para seu ninho conjugal. Ao adentrarem no centro se deparam com um fato "inédito" o banco está sem dinheiro. Ilário!

- Depois de pelejarmos nos caixas eletrônicos conseguimos seis reais. Parece brincadeira! Retruca em voz baixa Cláudio.

Saem do centro de compras e percebem o avançar da hora. Fica tarde, mas vão à lanchonete e compram pastéis. Maneira legal de tapear a fome. Paulo admira-se pelo gesto de coleguismo do amigo. Engraçado. Chegam na casa de Paulo e Cláudio conversa rápido com a mãe dele e logo é dispensado.

- Pronto! Problema resolvido, diz Paulo.

Na realidade ele fora até a habitação para pegar uma espécie de "bandeirola" para pôr nas armas de fogo que manusearia na sua formatura. Durante o caminho haviam conversado sobre a evolução de Cláudio como pessoa. A ingenuidade excessiva que existia nele, quando na verdade não deveria existir mais, pois estava a ponto de ser tragado por leões e ienas famintas, sobre a evolução no comportamento e as situações engraçadas que havia acontecido. Pararam em frente a um supermercado e continuaram o diálogo (posso adjetivá-lo como reflexivo). Já era tarde demais, mas não se importam muito. Estavam num papo-cabeça. Perceberam o quanto ele havia crescido e cairam na real de que o tempo passa e ficam velhos (aliás, dizem experiente).

O legal disso tudo é perceber que o tempo passa, as pessoas se transformam, mas nunca mudam.

quinta-feira

Ingenuidade contagiosa

Vejo nos olhos daquela criança algo que não se pode explicar assim, com tão poucas palavras. Ela nos passa uma perceptível indiferença que nos traz à memória a nossa infância, delegada por desejos tão singelos e infantis. Brincar, um desses desejos, não é simplesmente brincar, é adornar o mundo, é tornar-se super-herói, é destruir com um sopro (que mal atinge uma formiga) um mostro de cinquenta metros de altura, é salvar o mundo dos invasores e suas armas fundidas em níquel, é ganhar a briga com uma vareta de dez centímetros que caiu agora da algaroba, transformando-a em espada de aço forte e pesado que emite raios luminosos e afastam as trevas. Brincar é ter força para carregar nos braços franzinos o amigo ferido que está "meio-morto", nem que seja por dois metros, até que caiam ao chão e risos sejam expressados.

Mergulhar no olhar inocente é mergulhar na infinitude do mundo que não nos pertence mais. É mágico e embaraçoso adentrar e penetrar profundamente na visão pueril, porque quando menos esperamos já achamos que somos grandes demais. Aos conseguirmos, redescobriremos a beleza da inocência, pureza e candura que um dia possuímos em supremacia.

Um susto. A criança percebe que eu observo sua ingenuidade. Penso rápido. Volto o rosto na direção contrária. Outro susto. Ela me toca. Me olha com os olhos graúdos e polidos e me pergunta com sua mansidão particular e voz branda: - o senhor quer brincar? - e me abre um belo sorriso me oferecendo seus melhores brinquedos que estavam postos de maneira desajeitada em suas mãos tão miúdas, e logo em seguida, um sorriso me é exprimido e não suporto tamanha petição daquele pequeno ser que sem recear conseguiu despertar em mim um novo jeito de ser criança.